Quem vibra a cidade? a mulher de cento e dois metros nua cento e dois metros tremidos e úmidos. um pé na rua do visconde outro na do barão, o que dá na mulher em cima da torre da igreja e um sino meio encharcado [dois dedos na entrada explicam a umidade o tremor e tudo mais]. Há quem observe assombrado ofendido enciumado cabisbaixo obcecado. a maioria é encantada [é um prazer, prazer é todo meu]. a mulher não olha pra baixo olha pra cima no céu [é o que pensam os transeuntes mas a mulher está de olhos fechados como convém] ela treme e a mão livre desliza dos cabelos pelo rosto pescoço e seios até cobrir a outra no baixo ventre e os joelhos se dobram mais um pouco e mais um pouco e mais um tanto e os sinos dobram juntos porque o gozo nunca deve ser sozinho. nem foi, nem seria: a cidade ruindo em espasmos com a queda, derrotada pelas mãos, redimida pelo chão batido interiorano. há quem grite há quem corra há quem pare estupefato e há dois, homem e menina, que vão até a mulher gigante apequenada só pra subir no rosto escorregando água e sal só pra ver os traços só pra ver só pra só pros olhos só pra ver a cor dos olhos da mulher gigante
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Imensa
sábado, 12 de dezembro de 2009
Fim do ano do ócio
No horóscopo chinês
Encharcado até os olhos
Na ressaca do meu talvez
Talvez numa outra segunda
Talvez no ano que vem
Talvez, me censuro rindo
Fingindo leve desdém
Mas é fim do ano e do ócio
Sorte, horóscopo chinês:
Vá recompor os seus ossos
E acorde os olhos de vez
Vá decompor os seus olhos
No ócio da embriaguez
Vá compor novos ódios
No riso da estupidez
Vá com todos os ossos
E volte sem mais
Talvez
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Dois lances abaixo
Aconteceu que naquele ano ela envelheceu mais que eu. Eu vi naquilo um aviso de que minha juventude seria a próxima e decidi, então, presentear meus últimos instantes antes da velhice com um número considerável de amantes: tive quase três dezenas em menos de vinte e quatro meses. As duas últimas, Vintesseis e Vintessete, foram as que me viram ceder aos cabelos brancos e às demais taxas que a idade costuma cobrar quando lhe convém. As duas me acolheram, devo dizer, com a paciência de mãe e dedicação de filha. Lembro que enquanto eu as aconselhava ou tentava lhes dar ordens elas apenas abanavam a cabeça e, com as bocas mudas, me guiavam, teimosas, por caminhos que eu julgara conhecer de cor, mas que não encontravam reconhecimento imediato das minhas mãos. Eu julgava que minha mulher iria se regozijar com minha decrepitude, agora tão parecida com a dela. Mas ela assumia o mesmo ar que Vintesseis e Vintessete só que com aquele charme discreto, proveniente do desprezo, e me abraçava e me levava por velhos caminhos, agora mais tortuosos e íngremes, com novos e imprevisíveis acidentes surgidos do cansaço ou das rugas. Claro que nunca havia considerado que o cansaço também poderia ser meu e que os declives já eram abissais devido às minhas próprias rugas. Minha agudeza de espírito [se me permitem esse termo] desconhecia minhas limitações físicas, o que me fazia tão feliz quanto qualquer outro moleque inconseqüente. Foi quando cismei de subir a escada pulando de dois em dois degraus e rolei dois lances de escada, deixando um dente, uma costela e parte da bacia em cacos, que me dei conta que faziam mais de cinqüenta anos que eu vivia como se tivesse dezenove. Acontece que com dezenove eu conheci a minha mulher, ela aos Vinteum e eu sem nem uma dúzia de amantes. Ela já devia ter tido umas duas dezenas e já sabia por onde eu devia ir, o caminho era seguro, outros já o haviam desbravado. Mas eu andava tão tranquilamente e com tanta segurança por entre seu relevo suave que ela me levou ao seu ponto mais ermo. Eu fiquei tão encantado que só pensava em ficar por ali. Ela me fazia dar voltas e mais voltas e devo confessar até me divertia, assim, sem atalhos. Mas antes dos meus vinte descobri outras paisagens existiam para além da minha pobre esposa, e que nelas eu chegava em lugares antes desérticos quando bem entendia. Era como se conhecendo o relevo de minha própria mulher eu conhecesse o relevo das demais. Os caminhos são diferentes, mas se caminha do mesmo jeito. Aos Vintequatro meu trabalho me exigiu novas viagens e posso me gabar de ter conhecido mais mares dantes nunca navegados que qualquer poeta português. Fui de encontro a novos lugares por quase cinco décadas, décadas que atravessei inflado de um orgulho púbere e teimoso, que só me abandonou quando também perdi um dente, uma costela e uma parte considerável da bacia. Talvez o rosto desfigurado pelo vão na boca, talvez o corpo engessado e paralisado sobre a cadeira de roda, talvez a imagem patética da minha mulher, num reflexo feminino bizarro do que eu seria. O fato é que minhas viagens acabaram dois lances de escada abaixo e Vintesseis e Vintessete, como mãe e filha, fizeram o favor de me deixar em casa. Entregaram meus cacos sobre rodas e eu entrei na velhice deslizando no sorriso macabro da minha mulher.
domingo, 26 de julho de 2009
Considerações sobre pequena literatura
Divirtam-se com literatura.
sábado, 20 de junho de 2009
Trecho N° 1
[...]Ela pedia doces, lhe dava doces. Ela pedia brinquedos. Eu dava. Ela queria milk shake, refrigerantes e estalinho. Eu dava. Quando ela pediu um beijo, eu juro que tentei negar. Mas ela ameaçou pirraçar, bater o pé no chão, chamar o pai, fazer escândalo. Eu não sei dizer não à criança. E lhe cedi o beijo, o primeiro, o segundo e por aí foi. Acabei mostrando a ela o que não devia. Só porque ela pedia, juro! E fui ensinando... Hoje, quando ela beija mais que a barba grisalha ainda fala, "você é tão quente e bom de apertar, aqui dentro, aqui dentro" e eu ainda rio de nervoso. O calor já não é embaraço, é o encanto da culpa. É o que ela pede e eu obedeço. Eu que não sei dizer não à criança...
Precisando de um texto bacana pra mostrar pro seu chefe, professor ou amante? Procure Santana e Silva Consultoria e seja feliz.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Morreu de quê?
domingo, 31 de maio de 2009
Monólogo de dois
A mulher, a minha mulher disse "você devia esquecer" e enquanto ela me desdenha, eu prefiro eufemizar tanto fracasso. Eu não lembro tanta coisa assim, o barulho da máquina de escrever já me é pouco familiar e palavras bonitas não significam tanto. E pensar que as meninas gostavam de palavras bonitas e eu aproveitava pra escrever entre suas saias e seus seios isso não faz tanto tempo assim (uns nove, dez anos, talvez). E pensar e na caixa de charutos ainda guardo poesia. Eu poderia esquecer, mas prefiro praguejar contra os ônibus cheios e esse monte de cigarros e o sumiço da caneta tinteiro e a insônia, a minha insônia que já não me traz inspiração.
É a insônia que a mulher me manda esquecer. O que ela não sabe, ou sabe e não me conta, é que o sono é para os que ainda escrevem. Eu já tive sono e nem faz tanto tempo assim (uns nove, dez anos ) A única coisa que tenho hoje é a lembrança (das saias, dos seios, dos poemas). E a mulher, a minha mulher, me pede pra esquecer e dormir! Talvez eu devesse...talvez eu realmente devesse esquecê-la. E fazê-la dormir. Fazê-la dormir.
Escrito por Camila M. e Gusthavo Santana para uma matéria do segundo denominada Oficina de Expressão.
sábado, 2 de maio de 2009
tudodenovooutravez
Entre as nuvens, lua crescente
Janela aberta em dia cinza de chuva o frio da noite o choque com o calor do corpo dos corpos sal da pele nas bocas nas linguas a umidade nos dedos nos extremos e no intimo as coxas contra as coxas as mãos nos ombros e no parapeito apertadas as marcas vermelhas na pele morena na pele branca nas pontas rosadas os lábios inchados os olhos cerrados o sorriso contido entrecortado [suspiro suspiro sussurro suspiro] por certos sons incertas vozes trêmulas tétricas trêmulas beleza etérea bélica e borrada encharcada encurralada em entre in ventre no vento que sopra depois da chuva depois de depois do cansaço entre calhorda e cálido entre culpa e orgasmo..
[a paisagem inventada é só moldura, a ternura é que importa. A lua, crescente, é só te pra iluminar, Nuage, posto que o gosto é de poesia das nuvens que se esvaem na chuva e em outras águas]
terça-feira, 28 de abril de 2009
Já fui bom nisso
Coisas velhas que eu gosto por algum motivo estranho:
Vinha o bardo me contando a história:
... Fiz cara de louco, aquele tique no rosto, uma voz etérea, estupidamente etérea...e recitei a primeira bobagem que me veio a mente:
“A poesia...
A poesia é pó de sentimentos
Pó diluído em tinta
Tinta bebida em versos
Versos vomitados em lágrimas”
As mocinhas se impressionaram, afinal, um lunático falando coisas sem sentido só poderia ser poeta...Mas elas não me deram o que queria...Só pediram um estúpido autógrafo.
- Mas o que você queria?
- Um cigarro, oras!
- E pq simplesmente não pediu?
- Meu jovem – ele retrucou, professoral – Poeta que pede, perde o lirismo...
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Oração ao pé da goiabeira
Não deixe, senhor, que alguém veja
Os pequenos que invadem a igreja
Eles pecam buscando o certo:
Salvar as goiabas do concreto
terça-feira, 31 de março de 2009
Entre dó e si [mesmo]
Foi quando crise de abstinência
Ganhou um novo significado
Se absteve de dormir
Naquela noite e na seguinte
Nas demais,
Dormiu leve feito fumaça
de nicotina
de nicotina
de nicotina
O cheiro das cortinas já era insuportável
E supôr o incerto era tão mais plausível
Tão mais divertido
E leve feito fumaça
[Na boca
Na boca
E nos olhos
nos dois]
Que comprar cigarros pareceu odisséia
Talvez pela saia, as saias pelo caminho
Que ficaram pelo chão das salas
Que cairam pelas mão de quem cala
Respirando velha fumaça
de nicotina
de nicotina
de nicotina
O cheiro que atina o senso tísico
Senso físico, furtuito fumo
O furo de cinzas em cima do banco
Cinza feito pranto de quem fica
Em casa, calada
Com as cortinas
de nicotina
de nicotina
de nicotina
sábado, 28 de fevereiro de 2009
pequeno ensaio de poema para quem vê cores em nuvens
[mas não conta pra ninguém que quem olha assim até pensa que cada cor não é coisa de olho nem de rosto vão falar que é do peito, do peito! e cor do coração, convenhamos, não tem jeito, não é pra tanto: é cor demais num só encanto]
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Sobre os que somem [Continuação]
O que eu quero que você entenda é que ela era linda chorando. Não como as pessoas normais, que ficam pateticamente vermelhas e inchadas, sem falar do nariz escorrendo. Você só entenderia a beleza do choro da dona (da gata) se eu fosse poeta e você, uma adolescente emotiva. Enfim, não importa. O importante era fazê-la chorar para em seguida lhe dar consolo e, com sorte, algo mais. Não era tão difícil, imagine. Reclamava do cheiro do sofá ou dizia que a prefeitura estava caçando gatos para prevenir toxoplasmose. Incrível como coisas tão pequenas podem ferir quem se apega. Era ver aqueles olhos enormes enchendo d'água para prever o que viria a seguir: "Amor...", carinho no rosto, beijo no canto da boa e, para coroar, sexo adoravelmente culpado. Ou fingidamente culpado, confesso que não conhecia remorso, ainda. Não vou descrever o prazer que eu sentia enquanto ela arranhava o sofá e minhas costas entre soluços e gemidos, meu caro, porque estamos em um lugar de respeito. Já falei que o cheiro de urina da gata sumida tinha um novo valor pra mim? Era algo quase... afrodisíaco. Consegue imaginar? Claro que não. Eu saía de lá com o cheiro do gozo dela no meu sexo, nos meus dedos e com o cheiro da gata sumida pelo corpo como um... trunfo, exatamente. Repulsivo? Repugnante? Adorável, meu caro, adorável. Quase me lamentava quando ia tomar banho e assim me livrar do perfume do sucesso, se posso dizer assim. Engraçada essa sua cara. Me olha assim pela minha história ou pelo meu cheiro? Se bem que as duas coisas agora são uma só, se é que me entende... Mas, espere! Não precisa ir embora. A única coisa que quero é que você me escute. Se gostar ou não, pouco importa. Estou chegando no segundo mês, segundo mês depois do sumiço do bichano. A dona tinha começado a chorar sem motivo sem me dizer o porquê. Eu me intrigava de leve, o suficiente para fazer com que ela me fizesse parar de perguntar se deitando no sofá e abrindo as pernas. Então, um dia... Sempre tem "um dia", não? O Dia, bendito clichê. Ela ainda chorava, depois da transa, calcule. O cheiro de urina de gata, era forte, muito forte. Ela me olhou de um jeito... Aqueles olhos brilhando, você só iria entender se eu fosse poeta e você... Isso! Adolescente emotiva. Já tinha dito? Enfim, ela me olhou daquele jeito, linda, e abriu a boca. O que ela falou, meu caro, entre "minha menstruação não veio" e "você vai ser pai" eu nunca vou lembrar. Daquele dia levei essas palavras e o cheiro, que me foi entrando pelas narinas e impregnando meu corpo como desespero.
Naquela noite, meu caro, até minhas lágrimas tiveram cheiro. Adivinhe de quê...
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O fim está próximo. Mas não esperem que "Sobre os que somem - A patética história do homem que cheirava a gata sumida" termine antes do carnaval. Divirtam-se e usem camisinha. Ou não.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Sobre os que somem
Não precisa olhar em volta, pode olhar direito: direto pra mim. O cheiro é meu ou passou a ser meu. Era da gata, na verdade, a que caiu, quarto andar e só deixou esse rastro de urina. Não em mim, no sofá. Eu nunca vi o bicho mas carrego o vestígio dela: o cheiro. Eu sei, sei.. Já tentei tirar, já tentei encobrir. Banho, perfumes, álcool, cigarros, sangue (sabe de sangue?) Nada tira, ele é meu agora. Onde vou o odor me anuncia, denuncia. As caras deformadas em desconforto (Como a sua agora. Não, não se preocupe, já não me ofendo). Esse nojo, esse desprezo acusador dos que me olham... O cheiro, hoje sei, é minha chaga. Quando transei com a dona (da gata) sobre o sofá, da primeira vez, quase não senti o cheiro. Não naquela hora, nem naquele estado. Acho que o fedor da gata se misturava ao cheiro dos nossos corpos ébrios e suados. Só depois do gozo e da janela aberta é que fui me dar conta do odor de urina. A dona (da gata) se desculpou, disse que o bichano tinha sumido há quase um mês que ela já tinha lavado o sofá não sei quantas vezes mas o cheiro, o rastro, tinha impregnado o lugar. Murmurrei um "não importa" e sugeri a cama. Ela acatou de bom grado. Mas, desde aquele dia, aquela foda, o cheiro começou a entrar em mim. O cheiro é minha chaga, já disse? A marca da indiferença, já que quem cala erra de antemão. Ela reclamava saudades da gata e me narrava dia após dia a queda do quarto andar e o sumiço do bichano. Eu não prestava atenção, gostava era de ver os olhos da dona encherem e transbordarem e vê-la pedir carinho nas minhas mãos, nos meus braços, no meu peito, no meu colo. Eu a colocava de quatro sobre as almofadas e ela gemia por novos motivos que não nostalgia. E o cheiro, o cheiro estava ali como inegável prova da ausência da gata, da solidão da dona e da necessidade da minha presença. O cheiro, meu caro, era meu trunfo.
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Dividi este conto (?) em partes já que ele ficaria grande demais para uma postagem só. E também nem sei como continuá-lo. Se é que ele terá continuação.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Igual asterisco
De tintas eu não entendo. De cifras e claves? Muito menos. De tintas. Não interessa. Interessa a tinta e a pinta no braço, feito a minha: pouco abaixo do pulso esquerdo. Isso, da mão que segura a madeira, a outra com o pincel. A beleza está em quem observa, movimentos suaves sobre o quadro no quarto ao lado sobre sob sobre a gata. As moscas na janela. Igual asterisco. As moscas na janela o cheiro no sofá a gata que foi pra ficar sempre pra sempre nela. Tinta. Tenta. Tingi de alegria os meus olhos vermelhos castanhos com esses teus olhos enormes que negros não são ou são por capricho charme. Não me chame ou te chamo pelo teu nome completo cumprido bonito que só. Que só você, linda que só, sorrindo de olhos fechados enquanto a boca e os lábios bobos desse bobo passeia pelas costas [todas elas] brancas e lindas linda que nem sua voz quando baixa e sussura e suave me sugere sublimes surtos de ternura. Ternura. Te ter nua. Ver a sua alegria caber no meu peito, que você assim desse jeito abraçada a mim ouvindo meu coração que te incomoda e me comove porque ele pulsa no tempo certo do nosso tempo que é terno e tímido e trôpego. E é tudo e todo o tempo que preciso. Eu já falei de sorriso, do seu. Faltou falar do meu que abre e não se abate ao ver o amarelo o peixe o presente que nada e acaba de leve com a saudade que aparece do nada com a falta a falta a falta do que fica comigo:
Camila me olhando sorrindo.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Conto calhorda para Marina chorar
.
[não tardio doce
tão cedo trouxe
o sono dos justos
sonho dos juntos]
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
¿Como te llamas?
Agora é meu, meu!
[rasga em doze pedaços e engolhe]
Velho, tô precisando do meu nome. Toma. Era esse? Era. Que estranho... O quê? Não reconheço. Ficou muito tempo sem usar, desacustuma. É, tá me pinicando mesmo. No começo é assim. Depois? Piora. Rá. Olha, só não põe na boca. Por que não? Não seria muito higiênico. Cara, onde você passou com meu nome?!
Adivinha...
[começa a briga. Na confusão, o nome é vomitado]
Você engoliu meu nome?! Não mais. Eu adorava esse nome! Eu também. mm. Você tá chorando? E você, nem vem. Eu adorava aquele nome também. Você acha que dá pra juntar? Com um pouco de saliva... Você não vai cuspir nele. Eu já engoli ele uma vez. Quer saber, pode ficar. Sério?
Não, é meu, meu!
[o nome escapa das mãos e vai dormir no céu. quando acorda, encharca o mundo]
Maldita tempestade. Cara, você tá com meu guarda-chuva?
[risos. a platéia percebe que está no palco e se apavora]
O nome desce as cortinas
sábado, 1 de novembro de 2008
Pequeno roteiro para devaneio noturno
Encharcado.
Desligo a TV: não virá dela o acalanto desta noite.